Seu olho não está a salvo da sua imunidade



Ainda é raro ouvirmos falar delas aqui no Brasil, o cenário ainda não é dos melhores e falta muito incentivo e até mesmo mudanças nas leis para que a realização de cirurgias de transplante de córnea chegue ao nível dos países que realmente investem nesse tipo de tecnologia. Mas o fato é: o transplante de córnea pode transformar significativamente a qualidade de vida de paciente que têm a visão prejudicada por problemas como o ceratocone, alergias, traumas ou qualquer outra adversidade que comprometa a córnea.

Por falar em necessidade de investimento em pesquisa e tecnologia, um estudo divulgado na Scientific Reports – periódico científico da Nature, uma das mais expressivas revistas científicas do mundo – descobriu que, diferente do que se acreditou durantes décadas, os olhos não são "imuno-privilegiados". Ou seja, acreditava-se que eles possuíam mecanismos de tolerância que inibem uma grande quantidade de respostas imunes que poderiam levar a inflamação, e lesaão dos olhos, o que facilitaria a aceitação da nova córnea pela pessoa que a recebe.

Então o transplante de córnea, que sempre foi idealizado como uma solução para tratar a perda de visão, possa resultar no mesmo problema se não conduzido de maneira correta. Entenda:

Para evitar a rejeição de novos órgãos durante e após o transplante, muitos pacientes recebem medicamentos imunosupressores que diminuem a resposta imune do organismo. No entanto, esclareço que, o uso de imunossupressores não são indicados nos casos de transplantes de alguns órgãos, inclusive o de córnea. Essa postura se deve à crença de que alguns componentes do olho, como as lentes, não têm acesso direto aos vasos sanguíneos que transportam as células do sistema imunológico (imunoprivilégio), então não teria a reação da rejeição. No entanto, a conduta pode mudar, já que essa pesquisa realizada na Universidade Thomas Jefferson sugere é que essa suposição pode não ser verdadeira.

Os pesquisadores monitoraram um camundongo que tinha sido geneticamente manipulado para parar de produzir uma proteína-chave chamada N-caderina, para o desenvolvimento da lente dos olhos. Com esse experimento, eles não apenas mostraram que a N-caderina era necessária para criar a estrutura perfeitamente clara da lente, mas também observaram que as lentes malformadas que não possuíam N-caderina começaram a atrair as células do sistema imunológico para tentar consertar o dano. Ou seja, os olhos, não só têm acesso a resposta imune, como a resposta imune exagerada devido a malformações pode comprometer a visão. Nesse caso, a exacerbação da resposta imune poderia dar origem a fibroses, que é a formação de novas fibras (tecido) em locais onde acontece a cicatrização e esses novos tecidos oculares poderiam comprometer a visão.

A ciência básica auxiliando a medicina e nós acompanhando para te oferecer o melhor tratamento quando estiver disponível! É inegável a relevância dessas informações apuradas na pesquisa, no entanto, como toda descoberta, essa ainda precisa ser testada para que sejam confirmadas tais suposições.

Fonte: Caitlin M. Logan, Caitlin J. Bowen, A. Sue Menko. Induction of Immune Surveillance of the Dysmorphogenic Lens. Scientific Reports, 2017; 7 (1) DOI: 10.1038/s41598-017-16456-5

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