Síndrome de Down: como cuidar dos olhos deles?



Você certamente já ouviu falar sobre a Síndrome de Down, uma condição genética que, segundo o IBGE, está presente em cerca de 300 mil brasileiros. Mas você realmente conhece a sua causa e efeitos sobre o organismo (inclusive os olhos)?

A grande maioria dos seres humanos é formada por 46 cromossomos, que são estruturas que carregam a nossa informação genética e estão distribuídas em 23 pares. Entretanto, logo do início da formação do bebê, é possível que surja um cromossomo a mais no par 21 (trissomia), configurando o que hoje conhecemos como Síndrome de Down e suas peculiaridades.

Hoje em dia, sabe-se que a síndrome está ligada à diminuição da rigidez muscular, déficit cognitivo e um risco maior de apresentar disfunções na tireoide, atraso na fala, doenças cardíacas, disfunções neurológicas e complicações oculares.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia dedicou-se a avaliar a incidência de alterações oftalmológicas em crianças portadoras da Síndrome de Down, entre 2004 e 2009. Através dos resultados de exames oculares, observou-se uma alta incidência de blefarites, epicanto, obstrução da via lacrimal, erros refrativos, estrabismo e catarata.

Conheça um pouco sobre cada uma dessas complicações:

- Blefarite: presente em 42,85% das crianças examinadas, essa é uma inflamação das bordas das pálpebras que causa irritação, vermelhidão, inchaço, coceira, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, sensibilidade à luz, dor e possível formação de crostas espessas ou úlceras superficiais.

- Epicanto: essa é uma condição ocular observada em 70% das crianças no estudo, e é conhecida por uma série de questões anatômicas ou funcionais que podem disfarçar um desvio nos olhos. Ela pode ser notada pelo formato amendoado do olho atingido, sensação de olhos cruzados e pela diminuição da acuidade visual, uma vez que o canto do olho fica coberto.

- Obstrução da via lacrimal: as vias lacrimais fazem parte de um sistema que drena as lágrimas, e em caso de obstrução, elas se acumulam e podem causar desconfortos, secreções, conjuntivites e infecções bacterianas. Ela esteve presente em 25,71% das crianças.

- Erros refrativos: trata-se de uma condição ocular em que o paciente tem dificuldade para enxergar objetos próximos (hipermetropia), distantes (miopia), ou possuem visão embaçada (astigmatismo). Neste estudo, observou-se que 14,28% das crianças eram míopes, 20% hipermetropes e 22,85% tinham astigmatismo.

- Estrabismo: esse é um defeito visual em que os olhos ficam desalinhados e apontando para direções diferentes. Em algumas situações, esses detalhes se resolvem por conta própria, mas na maioria dos casos demanda uma intervenção, como óculos, lentes ou cirurgia. O estudo chegou a 11,42% das crianças com esotropia (quando o olho é voltado para dentro, ou seja, aponta para o nariz) e 5,71% com exotropia (quando é voltado para fora, ou seja, para a orelha).

- Catarata: 2,85% das crianças possuíam catarata congênita, uma complicação conhecida pela característica opaca da lente natural dos olhos, o cristalino, dificultando a plena visão.

É importante ressaltar que, seja a criança portadora ou não da Síndrome de Down, é extremamente importante fazer o acompanhamento oftalmológico desde o início, com pelo menos uma consulta anual de rotina. Esse hábito é capaz de favorecer ações preventivas e diagnosticar os problemas oculares precocemente.

Em 21 de março é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, uma data voltada para o combate de mitos e conscientização sobre a importância da luta por direitos igualitários. Estamos juntos para promover a saúde de todos!

Fonte: Silvia Helena Tavares Lorena. Síndrome de Down: epidemiologia e alterações oftalmológicas. Revista vol.71 - nr.3 - Mai/Jun - 2012.


Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

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